Papel da piroptose no controle da infecção por Toxoplasma gondii




O Toxoplasma gondii (T. gondii) é um protozoário intracelular que pertence ao filo Apicomplexa. Esse parasita é conhecido mundialmente por ser o causador da Toxoplasmose. Ainda que os únicos hospedeiros definitivos do T. gondii sejam os membros da família Felidae (os gatos, por exemplo), esse parasita é capaz de infectar diversos animais e até mesmo humanos como hospedeiros intermediários. Normalmente a Toxoplasmose pode ser controlada por um sistema imunológico saudável e, portanto, se manifestar de forma assintomática. No entanto, em indivíduos imunocomprometidos ou em recém-nascidos de mães infectadas, a doença pode ser fatal.


Em posts anteriores, discutimos sobre um processo de morte celular programada chamado piroptose. As modalidades de morte celular programadas representam um mecanismo importantíssimo para a eliminação de células danificadas ou infectadas. Nesse sentido, a piroptose pode ser desencadeada como consequência da ativação dos inflamassomas, que ocorre a partir da detecção de sinais endógenos de danos celulares ou moléculas características de patógenos. A ativação dos inflamassomas envolve o recrutamento de caspase-1 que irá ativar IL-1beta, IL-18 e a Gasdermina-D. Por sua vez, a Gasdermina-D clivada é capaz interagir com a membrana plasmática onde forma poros. A presença de poros na membrana da célula permite o extravasamento do conteúdo intracelular (como a IL-1b e IL-18), podendo causar a ruptura da célula e, finalmente, a piroptose.


Na literatura, a relação entre inflamassomas e este protozoário tem sido relatada desde 2011, no entanto a capacidade do T. gondii de induzir a piroptose ou como esse mecanismo poderia se relacionar ao controle da infecção são aspectos que seguem menos explorados. Assim, nosso grupo investiga a relação entre a piroptose e o controle da infecção causada pelo T. gondii, utilizando animais selvagens e animais deficientes em Gasdermina-D, monitorando o papel dessa molécula na ativação de células efetoras, na produção de mediadores inflamatórios e no controle da infecção pelo T. gondii.


Investigar e compreender o papel desses mecanismos no contexto de uma doença negligenciada que ainda representa um grande problema de saúde pública pode abrir margens para o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas baseadas na manipulação de vias de morte celular. Além disso, o estudo contribui para a compreensão da imunobiologia do T. gondii na relação patógeno x hospedeiro.




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